Organizador/Docente: Professora Eunice Prudente, Professor Gustavo Monaco, Professora Maria Angélica Fernandes, Professor Silvio Serrano Nunes, Fernando Pereira, Lais Lindgren, Lidiana de Almeida, Maria Clara de Aragão e Equipe do Círculo de Leituras do Laboratório Diplomático da USP
Carga Horária Total: 2 horas
Data: 05/12
Horário: 10h30 às 12h30
Dia da semana: sábado
Modalidade: on-line
Público-alvo: todos os cidadãos, especialmente estudantes, que demonstrem interesse por história, história diplomática, história da política externa, pela carreira diplomática e pelo estudo de política internacional, sem a exigência de formação acadêmica específica ou de envolvimento pretérito em atividades profissionais voltadas à diplomacia, mediante inscrição.
Eixos temáticos:
Objetivos de aprendizagem
O Círculo de Leituras é uma das atividades propostas pelo LaD em conjunto com a EGC e terá como objeto de estudo a obra Teerã, Ramalá e Doha. Memórias da Política Externa Ativa e Altiva, de Celso Amorim, referência fundamental para a compreensão da política externa brasileira contemporânea.
A atividade visa oferecer e discutir com os participantes um panorama aprofundado da atuação internacional do Brasil no início do século XXI, com ênfase na condução da política externa durante o período em que Celso Amorim esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores. A partir de seu testemunho direto como formulador e executor da política externa, pretende-se desenvolver entre os membros competências de análise crítica sobre a inserção internacional do Brasil, especialmente no contexto do chamado paradigma da “política externa ativa e altiva”.
Espera-se que os participantes sejam capazes de compreender os principais eixos da atuação diplomática brasileira no período, incluindo a intensificação das relações Sul-Sul, a atuação em fóruns multilaterais, a mediação de conflitos internacionais e a participação em negociações comerciais estratégicas, como a Rodada de Doha. Pretende-se, ainda, que os participantes consigam identificar os instrumentos, limites e possibilidades da ação diplomática brasileira em contextos de alta complexidade política.
Ao longo das atividades, os membros deverão desenvolver a capacidade de relacionar a política externa com o contexto político interno, reconhecendo como decisões domésticas influenciam a atuação internacional do país e vice-versa. Busca-se também estimular a compreensão das estratégias de negociação diplomática, dos processos decisórios no âmbito do Itamaraty e do papel do Brasil como ator relevante no sistema internacional.
Ao final do ciclo, espera-se que os participantes sejam capazes de analisar criticamente a política externa brasileira contemporânea, identificar continuidades e mudanças em relação a períodos anteriores e compreender o papel da diplomacia na projeção internacional do Brasil, especialmente no que se refere à construção de sua autonomia e protagonismo no cenário global.
Competências a serem desenvolvidas
Ao final da atividade, os membros deverão ser capazes de:
O participante que ler integralmente a obra Teerã, Ramalá e Doha. Memórias da Política Externa Ativa e Altiva poderá compreender como a diplomacia brasileira atuou de forma estratégica em temas centrais da agenda internacional contemporânea, como segurança internacional, comércio global e relações com o Oriente Médio.
Por meio da leitura, será possível identificar o protagonismo brasileiro em iniciativas como a mediação de conflitos, a construção de coalizões internacionais (como o G-20 comercial) e a atuação em negociações multilaterais complexas, percebendo os limites e possibilidades da ação diplomática em contextos de alta sensibilidade política.
Em específico para o período abordado, o participante deverá desenvolver a capacidade de integrar a política externa aos fatores políticos, econômicos e estratégicos que a condicionam, compreendendo a interdependência entre política interna e inserção internacional do Brasil. Espera-se também que o aluno seja capaz de identificar os elementos que contribuíram para a construção da imagem internacional do Brasil como ator relevante, negociador e defensor do multilateralismo.
Adicionalmente, busca-se desenvolver uma visão prática das negociações internacionais, compreendendo estratégias diplomáticas, processos decisórios no âmbito do Itamaraty e dinâmicas de organismos multilaterais. O participante deverá ser capaz de analisar criticamente interesses, motivações e implicações das decisões diplomáticas, reconhecendo nuances e disputas presentes no sistema internacional.
Estimula-se também o desenvolvimento de habilidades discursivas formais, coerentes com o padrão de comunicação diplomática e acadêmica, bem como a capacidade de argumentação fundamentada em evidências e leitura crítica de fontes primárias.
Por fim, espera-se fomentar a construção de uma comunidade de aprendizagem colaborativa, voltada à troca de conhecimentos e experiências entre os participantes, fortalecendo competências essenciais para atuação em carreiras diplomáticas, acadêmicas e no campo das relações internacionais.
Justificativa
A política externa brasileira constitui dimensão fundamental da atuação do Estado e deve ser compreendida em sua prática concreta para o aprimoramento da formação de estudantes e profissionais interessados na atuação pública e internacional. Nesse sentido, a análise da diplomacia contemporânea permite não apenas o entendimento de diretrizes institucionais, mas também das estratégias, limites e possibilidades da inserção do Brasil no cenário global.
Apesar de sua relevância, a atividade diplomática ainda é frequentemente percebida de forma distante ou pouco acessível, cercada por visões abstratas que dificultam a compreensão de seu funcionamento prático. Soma-se a isso o fato de que, nos cursos de graduação, o estudo das relações internacionais e da política externa brasileira, muitas vezes, permanece dissociado da experiência concreta de formulação e execução dessas políticas.
Diante desse cenário, o LaD propõe a leitura da obra de Celso Amorim como instrumento privilegiado para aproximar os participantes da prática diplomática. Por meio de seu testemunho direto enquanto Ministro das Relações Exteriores, o autor apresenta uma perspectiva interna dos processos decisórios, das negociações internacionais e dos desafios enfrentados pelo Brasil em temas centrais da agenda global, como segurança internacional, comércio e relações Sul-Sul.
A obra permite compreender, de forma aplicada, o paradigma da política externa “ativa e altiva”, evidenciando o esforço brasileiro de ampliação de autonomia e protagonismo no sistema internacional. Além disso, contribui para a análise das interações entre política interna e política externa, especialmente em um contexto de transformações geopolíticas e reconfiguração das dinâmicas multilaterais.
A escolha da obra justifica-se, ainda, por seu caráter testemunhal, que possibilita aos participantes o contato direto com a experiência de um dos principais formuladores da política externa brasileira recente. Tal abordagem favorece não apenas a compreensão teórica, mas também o desenvolvimento de uma visão crítica e prática sobre a atuação diplomática.
Por fim, a atividade busca suprir a lacuna existente entre teoria e prática, promovendo um espaço de formação, debate e troca de experiências que contribua para a qualificação dos participantes e para o fortalecimento do interesse pelas carreiras internacionais e pela compreensão da inserção do Brasil no mundo contemporâneo.
Metodologias
A atividade será estruturada em 14 encontros semanais síncronos, realizados em ambiente virtual (via plataforma online), com duração de aproximadamente 2 horas cada, além de atividades preparatórias consistentes em leitura prévia, estimadas em 2 a 3 horas por encontro.
O primeiro encontro, a ser realizado em 15 de agosto de 2026, será destinado à abertura do segundo ciclo do Círculo de Leituras e ao início da análise da Parte II da obra Teerã, Ramalá e Doha: Memórias da Política Externa Ativa e Altiva. Serão apresentados os antecedentes históricos das relações entre o Brasil e o Oriente Médio, os fundamentos da aproximação diplomática com os países árabes e os principais conceitos que orientarão os debates do semestre, especialmente a cooperação Sul-Sul, a criação da Cúpula América do Sul–Países Árabes (ASPA) e o papel da política externa brasileira na ampliação do diálogo inter-regional.
Em cada encontro, será realizada uma apresentação inicial por convidado externo (docente, diplomata ou pesquisador), com o objetivo de contextualizar os temas abordados na leitura e aproximar os participantes da prática diplomática contemporânea.
A metodologia prioriza práticas colaborativas de aprendizagem. Cada encontro contará com a atuação de um mediador e de uma dupla de participantes previamente designada, responsável por conduzir a exposição do conteúdo lido, destacando os principais argumentos do autor, conceitos-chave e problemáticas relevantes.
Após a exposição inicial, a dupla de expositores apresentará questões orientadoras, estimulando o debate entre os participantes. Em seguida, será realizado um debate mediado, com participação ativa de todo o grupo, promovendo a troca de perspectivas e o aprofundamento crítico dos temas.
Os participantes deverão realizar a leitura prévia dos trechos indicados e, durante os encontros, desenvolver análises fundamentadas, relacionando o conteúdo da obra com o contexto político, histórico e institucional da política externa brasileira.
A metodologia também contempla a discussão de casos práticos de negociações internacionais, conforme relatados na obra, permitindo aos participantes compreender, de forma aplicada, os processos decisórios, estratégias diplomáticas e dinâmicas multilaterais.
Essa abordagem busca estimular o protagonismo dos participantes, promover a construção coletiva do conhecimento e aproximar teoria e prática, alinhando-se à proposta de circulação de obras clássicas e contemporâneas relevantes para a formação em relações internacionais.
Por fim, a participação nos debates, nas exposições e, quando aplicável, a elaboração de registros reflexivos ou sínteses das discussões poderão ser utilizados como instrumentos de acompanhamento e avaliação, conforme diretrizes da Escola Superior de Gestão e Contas.
Conteúdo Programático
Leitura da obra:
AMORIM, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva. São Paulo: Benvirá, 2015
Trechos abordados:
Parte II | O Brasil e o Oriente Médio (p. 125–296)
Parte III | Doha: O Fio da Meada (p. 297–490)
O ciclo aprofunda a atuação da política externa brasileira no Oriente Médio durante os governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, examinando a construção da Cúpula América do Sul–Países Árabes (ASPA), as iniciativas brasileiras voltadas ao fortalecimento do diálogo político entre América do Sul e mundo árabe e a participação do Brasil nos principais esforços diplomáticos relacionados ao conflito israelo-palestino.
Na segunda parte do semestre, serão analisadas as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando o protagonismo brasileiro na criação e consolidação do G20 comercial, os impasses em torno dos subsídios agrícolas, os desafios do sistema multilateral de comércio e o papel desempenhado pelo Brasil como articulador entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ao final, serão discutidos os limites, os resultados e o legado da política externa denominada "ativa e altiva" no contexto da governança internacional.
Encontro 13 - O colapso de Genebra (05/12/2026)
Leitura obrigatória: Páginas 432 a 465
Tema: O fim das expectativas da Rodada Doha
Tópicos para discussão:
Parcerias e Meios de Implementação
Encontros realizados na modalidade online para discussão dos tópicos.
Acadêmicos e Diplomatas estudaram ou atuaram no período
Avaliação formativa
Busca identificar o progresso da aprendizagem dos participantes ao longo do ciclo, por meio do acompanhamento contínuo das discussões, da capacidade de análise crítica dos episódios abordados na obra e da articulação entre teoria e prática diplomática. Considera-se especialmente a evolução na compreensão dos processos de negociação internacional e da política externa brasileira contemporânea
Avaliação
Bibliografia básica
AMORIM, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva. São Paulo: Benvirá, 2015.
CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. 4. ed. Brasília: Editora UnB, 2012.
FONSECA JR., Gelson. A legitimidade e outras questões internacionais: poder e ética entre as nações. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
Bibliografia complementar
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política externa brasileira: fundamentos e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2012.
KISSINGER, Henry. Diplomacy. New York: Simon & Schuster, 1994.
SPEKTOR, Matias. 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
STUENKEL, Oliver. The BRICS and the future of global order. Lanham: Lexington Books, 2015.
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Portal do Itamaraty. Disponível em: https://www.gov.br/mre. Acesso em: 09 abr. 2026.
AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA ATÔMICA (AIEA). Official documents and reports. Disponível em: https://www.iaea.org. Acesso em: 09 abr. 2026.
Apoio Institucional
Apresentação dos Proponentes
O Laboratório Diplomático da USP (LaD) é uma atividade extensionista curricularizada (AEX) na Comissão de Cultura e Extensão (CCEX) da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O LaD é um grupo criado por estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (FDUSP), com a participação de membros e externos e é coordenado pelo professor titular de Direito Internacional Privado da FDUSP, Gustavo Ferraz de Campos Monaco. Entre algumas das iniciativas já realizadas pelo LaD estão a primeira edição do Círculo de Leituras em 2025, em que discutimos A Diplomacia na Construção do Brasil, do Embaixador Rubens Ricupero, o minicurso “Diplomacia: Teoria e Prática”, ministrado pelo Professor e Embaixador Fernando de Mello Barreto, e o simpósio “100 dias de Governo Trump”, que contou com convidados como Filipe Nobre Figueiredo, Guilherme Casarões, Jacques Marcovitch, Roberto Borghi e Carlos Portugal Gouvêa, dentre outras atividades.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados ao curso: